Regime de Nicolás Maduro tortura militares dissidentes

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Miguel Gutierrez / EPA

“Ajude-me”. Foram estas as palavras do capitão da marinha aposentado Rafael Acosta para o advogado, no dia em que apareceu no tribunal militar de cadeira de rodas e com sinais de tortura. Tinha sido detido há uma semana pelas secretas venezuelanas e acabou por morrer no dia em que compareceu em tribunal.

A história é contada pelo New York Times, num texto que denuncia que Nicolás Maduro está a torturar membros dissidentes das suas próprias forças armadas para manter o poder, segundo noticiou o Observador esta quarta-feira.

De acordo com a Coligação pelos Direitos Humanos e pela Democracia – uma organização não governamental com sede em Caracas -, citada pelo jornal norte-americano, há 217 oficiais ativos e aposentados detidos em prisões venezuelanas, incluindo 12 generais.

Voltando ao caso de Rafael Acosta, a sua autópsia – que o regime de Nicolás Maduro não conseguiu manter oculta – confirmou que sofreu vários traumatismos e foi eletrocutado. Acabou por ser enterrado três semanas depois de ter aparecido em tribunal (a 10 de julho) e os cinco membros da sua família que foram autorizados a assistir ao enterro não puderam ver o corpo, coberto com um plástico castanho.

O próprio governo admitiu ter exagerado no uso da força neste caso. Na sequência do caso foram mesmo detidos dois militares de baixa patente, mas a oposição e a família de Rafael Acosta acreditam que as ordens foram de Nicolás Maduro.

Os militares continuam ao lado do líder venezuelano Nicólas Maduro, mas nos últimos dois anos já houve, contou também o New York Times, cinco tentativas para derrubar ou assassinar o presidente por parte de forças de segurança (incluindo as forças armadas).

O ex-chefe das secretas da Venezuela, que desertou em abril, Manuel Figueira afirmou que “os abusos contra oficiais militares cresceu porque eles representam uma ameaça real para o governo de Maduro”.

Em julho, a alta comissária para os Direitos Humanos das Nações Unidas, Michelle Bachelet, divulgou um relatório que acusava o governo venezuelano de sujeitar os presos políticos a “choques elétricos, sufoco com sacos de plástico, simulação de afogamento, espancamentos, violência sexual, privação de água e comida, e exposição a temperaturas extremas”.

Hugo Chávez, o pai político de Nicolás Maduro, afirmou em 2006 que o governo venezuelano tinha de ser “humanista” e recusar a tortura. Mas durante estes últimos anos de governação de Nicolás Maduro têm-se sucedido os abusos contra militares dissidentes.

TP, ZAP //

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