Personalidades como Macron, Gisele Bündchen e DiCaprio induzem ao erro em publicação sobre a Amazônia

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Fotos: Reprodução

O assunto mais comentado dos últimos dias em todo o Brasil e nos trending topics das redes sociais em nível mundial são as queimadas na Amazônia, que estariam atingindo níveis alarmantes, levando celebridades como Gisele Bündchen, Leonardo DiCaprio, Jaden Smith, Demi Lovato, Madonna e até mesmo presidente francês Emannuel Macron a se manifestarem publicamente em uma campanha pela preservação da floresta. Tudo isto seria louvável se, na verdade, não fossem utilizadas por estas pessoas imagens que não são atuais e nem tampouco da Amazônia. 

DiCaprio reproduziu uma foto dos incêndios acompanhada de texto escrito por outro usuário que diz: “É assustador pensar que a Amazônia — a maior floresta tropical do mundo, que cria 20% do oxigênio da terra e é basicamente o pulmão do planeta — está em chamas a 16 dias com literalmente nenhuma cobertura da mídia”. Assim como ele, o presidente francês reproduziu a mesma imagem. No entanto, ela não é recente e não reflete as queimadas de 2019. Ela foi feita pelo fotógrafo Loren McIntyre, que morreu em 2003. Ele esteve na Amazônia em expedições desde a década de 70. A imagem também está à venda no banco de imagens Alamy. Logo, trata-se de um fake.

Já a brasileira Gisele usou a mesma foto e compartilhou no Twitter um abaixo-assinado do Greenpeace pela proteção da floresta. Demi, por sua vez, usou a ferramenta stories do Instagram para se manifestar. Ela republicou dois textos sobre as queimadas e escreveu “Orando pela Amazônia”.

A foto partilhada pelo astro do futebol Cristiano Ronaldo também não é nova, e nem tampouco aconteceu na Amazônia. Trata-se de um incêndio na Reserva Ecológica do Taim, no Rio Grande do Sul, anos atrás. 

O que é verdade sobre as queimadas na Amazônia afinal?

Alberto Setzer, pesquisador do Programa Queimadas do Inpe, disse que apesar da alta no número de incêndios, a chegada da fumaça da região Norte ao Sudeste não é um fenômeno raro. Ele fala que o pôr do sol um pouco mais avermelhado é um dos sinais, mas em menor intensidade do que foi visto.

O pesquisador também explica que o El Niño tem um efeito que aumenta a estiagem, mas não causa o aumento das queimadas. O fenômeno ajuda a aumentar a “espalhar o fogo”.

As queimadas no Brasil aumentaram 82% em relação ao ano de 2018, se compararmos o mesmo período de janeiro a agosto – foram 71.497 focos neste ano, contra 39.194 no ano passado. Esta é a maior alta e também o maior número de registros em 7 anos no país. No entanto, comparado com a média histórica, encontram-se normais. Um estudo da NASA atualizado nesta quinta-feira (22) mostrou que as queimadas na Amazônia em 2019 estão próximas da média em comparação com os últimos 15 anos. Além disso,  a NASA indicou que, de acordo com estimativas do banco de dados de Emissões Globais de Incêndio, no Mato Grosso e no Pará elas ficaram abaixo da média, enquanto no Amazonas e em Rondônia, aumentaram. 

Segundo a agência, os incêndios na região são raros na maior parte do ano, pois o clima úmido da floresta impede que as chamas se espalhem. No entanto, em julho e agosto, a atividade aumenta devido à chegada da estação seca. “Muitas pessoas utilizam o fogo para manter as terras e as pastagens cultiváveis ou limpá-las para outro fim”, diz o estudo. Normalmente, o pico ocorre no início de setembro e vai até novembro.

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