Jovens têm mais problemas associados ao uso da internet do que ao álcool ou drogas

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(PPD/C0) MrJayW / Pixabay

Um quarto dos jovens revela já ter tido vários problemas devido ao uso da internet. Apenas 21,1% dizem o mesmo do consumo de bebidas alcoólicas e 9,4% relativamente ao uso de substâncias ilícitas.

Cerca de um terço dos jovens inquiridos num estudo sobre comportamentos aditivos começou a usar internet antes dos 10 anos e um em cada quatro disse ter problemasassociados à sua utilização. O estudo revelou ainda um aumento do uso de substâncias ilícitas, principalmente canábis, e dos “consumos intensivos” de bebidas alcoólicas pelos jovens, entre 2015 e 2018.

O documento “Comportamentos Aditivos aos 18 anos”, divulgado esta quarta-feira, resultou de um inquérito promovido pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) junto dos jovens participantes no “Dia da Defesa Nacional – 2018”, que é realizado anualmente desde 2015.

A partir de uma lista de possíveis problemas, cerca de um quarto dos jovens mencionou que já tinha tido algum tipo de problema nos 12 meses anteriores, que associa à utilização da internet, não se verificando diferenças relevantes entre rapazes e raparigas.

O tipo de problema mais mencionado refere-se ao rendimento na escola/trabalho(9,6%), seguindo-se as situações de mal-estar emocional (11,5%) e problemas com comportamentos em casa (9,6%). Houve ainda 1,7% que disseram ter problemas de saúde, motivando assistência médica, 1,8% referiu problemas financeiros, 1,8% atos de violência, 1,4% conduta desordeira e 2,7% contaram ter relações sexuais sem preservativo.

A generalidade dos jovens inquiridos já teve contacto com a internet, tendo a maioria (57,5%) iniciado a sua utilização entre os 10 e os 14 anos, 34% antes dos 10 anos e 7,2% aos 15 anos ou mais anos. Os rapazes declaram um início de utilização mais precoce do que as raparigas. O computador portátil é o equipamento mais utilizado para aceder à internet, referido por 63% dos jovens, seguido do smartphone/telemóvel.

Maioria joga até três horas por dia

“A utilização das redes sociais é generalizada, tal como a realização de pesquisas na internet. Por sua vez, cerca de metade dos jovens referem jogar online, sendo que 16% apostam online”, sublinha o estudo que contou com a participação de 66.148 jovens, o que corresponde a 64% dos participantes do Dia da Defesa Nacional (103.324).

A maior proporção de jovens joga até três horas por dia, seja durante a semana ou ao fim de semana. No contexto do jogo a dinheiro o tempo tende a ser um pouco inferior. No entanto, o estudo salienta que perto de 10% dos jovens mencionam jogar durante seis horas ou mais por dia, um valor que desce para 2% no caso dos que jogam a dinheiro durante este mesmo tempo.

Em geral, os rapazes continuam a destacar-se das raparigas por passarem mais horas a jogar. Contudo, no contexto específicos do jogo de apostas não se observam diferenças relevantes entre jogadores e jogadoras quanto ao número de horas passadas a jogar.

“Entre 2017 e 2018 regista-se um ligeiro incremento da prevalência de jogo mais intensivo, a valorizar em função de evoluções futuras”, sublinha o SICAD.

No que ao consumo de álcool e drogas diz respeito, mais de metade dos jovens (51,9%) disse já ter bebido de “forma intensiva” pelo menos numa ocasião no último ano, contra 47,5% em 2015, e 33,9% relatou ter ficado com uma “embriaguez severa” (29,8% em 2015).

A tendência de crescimento de consumo “sucede tanto entre rapazes como entre raparigas, mas de forma mais acentuada nas raparigas”, salienta o SICAD, adiantando que estes consumos “mais intensivos tendem a ser pontuais no ano, predominando frequências de consumo inferiores a seis ocasiões”.

Quanto à perceção de terem ficado alterados na sequência do consumo de álcool, 64% dos jovens consideraram que ficaram pelo menos uma vez “alegres” (embriaguez ligeira) e cerca de um terço ficou severamente intoxicado (embriaguez severa).

Rapazes consomem mais droga do que raparigas

Outras conclusões do estudo dizem que 89% já consumiram bebidas alcoólicas pelo menos uma vez na vida, 60% já experimentaram tabaco, 36% substâncias ilícitas e 7% tranquilizantes/sedativos sem receita médica. A “maior discrepância” nos consumos entre raparigas e rapazes é observada nas substâncias ilícitas, com 22,1% e 33,8% respetivamente.

As prevalências de consumo de tabaco, bebidas alcoólicas e tranquilizantes sem receita médica têm-se mantido estáveis entre 2015 e 2018, mas “parece haver uma tendência de claro incremento da prevalência de consumo de substâncias ilícitas”, devido praticamente à canábis, principal substância ilícita consumida em Portugal. Apenas 1% dos jovens referiram consumos recentes exclusivos de outras substâncias ilícitas.

Os dados mostram um aumento gradual do consumo recente de canábis pelos jovens, que se situava nos 22,6% em 2015, um valor que subiu para 23,8% no ano seguinte, para 25,3% em 2017 e para 26,7% no ano passado.

A seguir à canábis, as substâncias ilícitas mais mencionadas foram as anfetaminas/metanfetaminas (5,2%), incluindo o ecstasy, a cocaína (3,3%), alucinogénios (3%), as Novas Substâncias Psicoativas (2,5%) e a heroína e outros opiáceos (1,7%).

Das Novas Substâncias Psicoativas (NSP) faz parte o consumo de canabinóides sintéticos (1,9%), catinonas sintéticas (1,5%) e plantas ou outras NSP (1,8%), refere o estudo, observando que cerca de metade dos consumidores recentes de NSP reportou ter consumido estes três tipos de substâncias.

O estudo revela um “ligeiro incremento” da experiência de problemas com o consumo de bebidas alcoólicas (18,5% em 2015, 21,1% em 2018) e de substâncias ilícitas (9,2%/9,4%), tendo sido as situações de mal-estar emocional e as relações sexuais desprotegidas as mais mencionadas.

Outra conclusão do estudo revela que 4% dos jovens compraram canábis através da internet nos 12 meses anteriores ao inquérito, o que corresponde a 14% dos consumidores de canábis neste período.

A percentagem de jovens que mencionou adquirir outro tipo de substâncias é igual ou inferior a 1% quanto a cada substância, o que está de acordo com a menor prevalência de consumo destas substâncias por comparação com a canábis.

// Lusa

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