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Economia

Comércio local é aposta de municípios para valorizar cultura e retomar economia

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Foto: arquivo pessoal/ Wellington Barbosa do Nascimento

Brasileiro tem mesmo fama de povo que não desiste e não deixa a peteca cair. Wellington Barbosa do Nascimento é o retrato dessa fé que tudo vai dar certo. Aos 61 anos, o morador de Campina Grande (PB) viu seu comércio de laticínios, que abriu há 36 anos, começar a ir mal das pernas. Com a pandemia, “seu” Wellington teve que se reinventar para que seus queijos, doces, castanhas e bolos continuassem lhe dando esperança.

“O efeito da pandemia foi muito cruel. Sofri muito, fui pego de surpresa, mas fui saindo aos poucos”, lembra. Ele conta que as vendas começaram a cair, mas foi aí que surgiu a ideia de ir atrás dos clientes já cativos. “A cidade entrou em lockdown por vários dias e, nesse período, eu tive que me reinventar. Criei outro canal de venda, por meio do delivery, que permanece até hoje. Foi como eu pude sair dessa crise. Tinha uma lista com nome e telefone de muitos clientes, fui atrás deles, ligando.”

Mesmo no centro da cidade de Campina Grande, a lojinha do “seu” Wellington ainda guarda um ar de casa de vó. “O pessoal aqui é muito família, muito local. Então todos permaneceram comprando da mesma maneira no meu estabelecimento, prestigiando a cidade. Foi como sobrevivemos.”

Ele relata que o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) local deu uma força nos negócios e o ajudou a se reinventar. “E estou me saindo muito bem, estou recuperando já o que perdi no período de lockdown”, comemora.

Segundo dados do Sebrae, 99% do total de empresas no Brasil hoje são de micro e pequenos negócios. Para ser considerada uma microempresa, o faturamento não pode ultrapassar os R$ 360 mil anuais (exceto os MEIs, que têm limite de R$ 81 mil). Os pequenos ficam na faixa de R$ 360 mil a R$ 4,8 milhões ao ano. É um setor que vem crescendo e promete impulsionar a retomada econômica no País, especialmente após os fortes impactos da pandemia do novo coronavírus.

Os micro e pequenos produtores são os que mais empregam brasileiros, segundo dados coletados pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) a partir do Anuário do Trabalho (2016). Quase 55% dos empregos formais, com carteira assinada, vêm dos comércios e serviços locais. “Eu tenho um motoboy que me ajuda no delivery”, destaca Wellington Barbosa do Nascimento.

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Para o presidente do Sebrae, Carlos Melles, é preciso valorizar cada vez mais quem vende no bairro.  “A micro e pequena empresa, no Brasil e no mundo inteiro, é a teia que sustenta qualquer país. É a padaria, a loja de roupa, todos os segmentos da sociedade. O Brasil vem aperfeiçoando esse ambiente de melhoria de convivência com a micro e pequena empresa”, garante Melles.

Segundo ele, a entidade representa, hoje, cerca de sete milhões de micro e pequenas empresas e 11 milhões de microempreendedores individuais (MEIs). “Nesse setor, também se fatura aproximadamente 30% da riqueza do Brasil”, revela.

O diferencial durante esse tempo de crise pelo qual o mundo inteiro passa, de acordo com Melles, foi aliar vários pontos a fim de reerguer os brasileiros. “Um dos diferenciais foi a gente fazer uma campanha maciça de ‘compre do pequeno’, ‘compre no seu bairro’, ‘compre de quem está próximo de você’”, diz.

Uma das dicas que Melles também dá é sobre a fidelização do cliente, assim como fez Wellington, quando pegou a antiga lista e procurou os clientes para fazer entregas em casa.

“Nesse aspecto, o ‘chacoalhão’ que a crise deu trouxe reflexões que vão melhorar muito a vida do pequeno e do microempresário. Primeiro, ser mais solidário, trazer mais atenção e zelo com o cliente. Os protocolos estão levando para esse lado, de fidelizar o cliente, zelar pelo cliente, tratar bem o cliente. Ter cuidado com os funcionários, com a vida deles, com a limpeza e higienização dos seus produtos. Ou seja, cuidar dos clientes para você ter uma fidelização que te dê uma resposta na saída da pandemia”, alerta o presidente do Sebrae.

Foi o que fez o comerciante de Campina Grande. “Aproveitei os 36 anos de comércio para consolidar ainda mais a minha clientela. Foi quando vi que dava para sair dessa. Se estou há tanto tempo no mesmo ramo é porque tenho credibilidade. Foi minha salvação”, reforça Wellington.

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Tecnologia

No Distrito Federal, a empresária do ramo de moda feminina Janaína Patriolino diz que o que ajudou a manter os negócios em meio à pandemia, além da fidelização dos clientes, foi a tecnologia e os aplicativos de troca de mensagens. “A tecnologia foi primordial. Já tínhamos trabalhado com WhatsApp, mas nessa pandemia foi nosso carro-chefe. Sem isso, nós teríamos sucumbido. Fizemos muitas vendas por lá”, comemora.

De acordo com Janaína, cerca de 70% das vendas da loja dela, localizada na região administrativa de Ceilândia, é feita pelo aplicativo. “Ainda não fazemos vendas on-line, então o cliente entra em contato e vamos até eles.”

Ela sentiu que os clientes focaram mais nos negócios locais por medo de se deslocarem para lugares mais distantes. “Foi positivo para nós, para que a gente permaneça”, avalia Janaína.

O gerente da unidade de Desenvolvimento Territorial do Sebrae, Paulo Miotta, explica como as prefeituras e governos locais podem incentivar os pequenos negócios.

“Primeiro, organizar o plano de compras da prefeitura. Segundo, capacitar os pregoeiros, esclarecer sobre as leis, termos de referência, porque tem legislação para isso. Outra coisa é o pregão eletrônico como plataforma de compras”, elenca. “Agora uma coisa que precisa se prestar muita atenção é a capacitação dos pequenos, porque muitas vezes você prepara o ambiente da prefeitura e o pequeno não sabe o que fazer, porque tem burocracia”, alerta.

 

Flávio Mikami, especialista em economia criativa e empreendedor, acredita que esse movimento de comprar dos pequenos produtores é importante para a economia brasileira, uma vez que 30% do Produto Interno Bruto (PIB) são representados pelas micro e pequenas empresas.

“Comprar do pequeno produtor vem num momento muito apropriado, já que o governo não conseguiu ajudar todo o segmento. Então, mais do que nunca, a movimentação do consumo interno é fundamental para a sobrevivência dos negócios, manutenção dos empregos e o aquecimento do mercado.”

Com esse cenário e com dicas para crescer cada vez mais, o paraibano Wellington Barbosa do Nascimento tem um recado: “Eu me acho um vencedor. Eu não cruzo os braços, sempre estou inventando uma coisa e outra para não deixar a peteca cair. Com fé em Deus que vai dar tudo certo.”

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Apoio ao gestor empreendedor

Comprar nos municípios e valorizar a cultura local é uma das dicas que podem ser inseridas nas propostas de governo dos (as) futuros (as) prefeitos (as) e vereadores (as) que serão escolhidos em novembro deste ano, nas eleições municipais. A ideia do Sebrae, em parceria com várias entidades, é inserir a pauta do empreendedorismo nas campanhas.

O que se espera é que os novos gestores (as) incluam o desenvolvimento econômico na agenda de prioridades da gestão do município; construam fortes parcerias com o setor produtivo; invistam em programa de desenvolvimento a partir das vocações e oportunidades do município e região e estimulem e facilitem a formalização de empreendimentos e de MEIs.

Essas e outras dicas estão no documento “Seja um candidato empreendedor – 10 dicas do Sebrae”, lançado no final de setembro. Na dica número cinco, que incentiva as compras locais, a entidade sugere que os novos (as) gestores (as)  deem preferência aos pequenos negócios locais e regionais nas compras do município; adquiram produtos da agricultura familiar para a merenda escolar, contratem microempreendedores individuais para realizar pequenos reparos e serviços diversos em prédios e espaços públicos; promovam campanhas de valorização de compras no comércio local e apoiem a organização de feiras livres de produtos locais e da agricultura familiar.

O guia é uma iniciativa do Sebrae com apoio da Frente Parlamentar Mista da Micro e Pequena Empresa, da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), do Instituto Rui Barbosa, com a Associação Nacional dos Membros do Ministério Público, e da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil.

Fonte: Brasil 61

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Economia

Caixa paga auxílio nesta quarta-feira (21)

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Créditos: Agência Brasil

Será depositado nesta quarta-feira, dia 21 de outubro, uma nova parcela do auxílio emergencial dos aniversariantes de agosto.

 

São aproximadamente três milhões e 600 mil pessoas que fazem parte do ciclo três de pagamentos. Até a quinta parcela do auxílio, o valor é de 600 reais, da sexta em diante o valor é a metade, 300 reais. Com o dinheiro em conta só é possível realizar pagamentos digitais por meio do aplicativo caixa tem.

 

O saque desta parcela para os aniversariantes de agosto só será liberado no dia 28 de novembro.  Também nesta quarta, recebem a sétima parcela do auxílio emergencial o pessoal do bolsa família com final três do nis, o número de identificação social.  Os beneficiários do bolsa família estão recebendo o valor reduzido do benefício de 300 reais.

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Brasil

‘H.Werner Perícias & Avaliações’: uma história construída pela dedicação aos clientes e gratidão aos parceiros do setor

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O perito e gemólogo Hugo Werner Flister fazendo uma avaliação – Foto: G.C

A ‘Manoel Bernardes’, uma das maiores redes de joalherias do pais, foi a porta de entrada do perito e gemólogo Hugo Werner Flister no setor:  “Sou grato pela oportunidade e parceria com os Bernardes que dura até hoje!”
[ Clique aqui e saiba mais ]

Chegar aos quase 40 anos de mercado, mantendo a mesma qualidade de atendimento não é para qualquer um, principalmente no setor de perícia e avaliação de pedras e metais preciosos que requer total atenção. Um bom exemplo disso está na ‘H.Werner Perícias & Avaliações’, que construiu a sua história através da dedicação aos clientes e gratidão aos parceiros, como exemplo, a cotada joalheria mineira ‘Manoel Bernardes’. De acordo com o perito e gemólogo Hugo Werner Flister (que faz parte da ASPEJUDI), ele foi influenciado a entrar no setor, graças a grande oportunidade na ‘Manoel Bernardes’. “Iniciei minha carreira profissional nesta empresa que é referência no mercado. Dentro da Manoel Bernardes aprendi muito da profissão e da conduta ética”. Confira o bate papo (abaixo) sobre essa incrível história de dedicação e gratidão.

Hugo Werner Flister, conte para os leitores: como você iniciou nesta profissão?

Foi no início dos anos de 1980, quando fui contratado por uma conceituada joalheria, como vendedor bilíngue (alemão).

– Como foi ter essa experiência?

Vejo como sorte ter vivido esta época, em que no Brasil o turismo era intenso, movimentando: hotéis, cidades históricas, todo comércio, como também, o das joias e gemas (pedras preciosas brasileiras) mundialmente conhecidas.

– O que te fez continuar na profissão?

Talvez o destino, mas, o mundo dourado e colorido do ouro e das pedras preciosas encantam as pessoas, eu acredito. Mas além do encantamento, fui influenciado pela boa experiência ao iniciar minha carreira profissional numa empresa que é referência neste mercado, a Manoel Bernardes, pois, no período que lá estive, fui privilegiado em conviver com qualificados profissionais que muito me ensinaram da profissão e de conduta ética.

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– Por que a escolha pela área técnica?

Mesmo durante a experiência na área comercial, já visualizava a importância da gemologia em garantir a legitimidade e a qualidade dos materiais comercializados, e então, o foco passou a ser a área técnica. Com formação universitária, me especializei em diamantes, gemas (pedras coradas) e joias.

– Quando você se tornou parte da Perícia Técnica Oficial?

Sou Perito Judicial desde o ano de 1997, atuando no poder judiciário de Minas Gerais, como perito oficial Gemólogo em processos de variadas naturezas, como: execuções, espólios, penhoras, furtos, partilhas e etc.

– Você também faz Perícia Técnica Particular?

Atendemos um público variado, desde garimpeiros para analisar e certificar uma amostra encontrada, até grandes partilhas para herdeiros de famílias tradicionais, certificação de diamantes, pedras preciosas e joias. Tudo isso para particulares, empresas e profissionais do ramo joalheiro.

– Depois de todo esse tempo trabalhando no setor, qual conclusão você faz de tudo isso?

Agora, chegando aos 40 anos de atividades, com aprendizado diário, sou grato aos meus apoiadores, em especial aos que me iniciaram e ensinaram esta profissão.

■ Não perca mais tempo

Tem alguma joia ou pedra preciosa em casa? Então agende uma visita na “H.Werner Perícias & Avaliações”. O escritório está na Rua Pernambuco nº353 – Sala: 1005 – Bairro Funcionários – Belo Horizonte / Minas Gerais | esquina com Avenida Brasil. Os atendimentos são feitos através de agendamento pelos telefones: (31) 3273-2648 ou pelo: (31) 99907-5881 (clique aqui e fale direto no whastapp). E-mail: [email protected] .

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Economia

Brasil é um dos dez países com maior número de trabalhadores que temem o desemprego

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Crédito: Andrew Khoroshavin/Pixabay

O medo de perder o emprego nos próximos doze meses atinge seis em cada dez brasileiros, de acordo com pesquisa da Ipsos.

O levantamento, feito a pedido do Fórum Econômico Mundial, revela que o percentual é de 63 por cento e está acima da média mundial, de 54 por cento.

O resultado coloca o Brasil entre os dez países com a maior proporção de trabalhadores com receio de ficar sem suas atuais ocupações.

O primeiro lugar do ranking é da Rússia, onde 75 por cento temem perder o emprego.

Em seguida aparecem Espanha, Malásia, México, Peru, Chile, Polônia e Turquia.

De acordo com o G1, o Brasil ocupa a nona posição, empatado com a África do Sul.

Mas apesar do resultado, na pesquisa 79 por cento dos brasileiros disseram ter expectativa de requalificação profissional.

Na média global, o otimismo foi demonstrado por 67 por cento dos participantes.

O levantamento ouviu 12 mil trabalhadores, em 27 países.

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