A brasileira Beatriz Ferreira derrota chinesa e ganha a medalha de ouro no Mundial de Boxe

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Aos 26 anos, Bia soma 24 pódios em 25 competições. (Foto: Reprodução/Instagram)

A brasileira Beatriz Ferreira derrotou a chinesa Cong Wang, neste domingo, e conquistou a medalha de ouro na categoria leve (até 60 quilos) no Mundial de Boxe, disputado na Rússia. A decisão dos jurados foi unânime: três anotaram 29 a 28 e 30 a 27 para a brasileira. Bia festejou com uma dancinha em cima do ringue. antes de abraçar os técnicos Mateus Alves e Léo Macedo.

Além da medalha de ouro, Bia foi escolhida como a melhor boxeadora do Mundial. Com a conquista, Bia ratifica sua condição de favorita a conquistar uma medalha nos Jogos Olímpicos de Tóquio, no ano que vem, mas antes ela deverá se classificar no pré-olímpico.

Menor que a adversária, Bia encontrou logo a distância correta para soltar seus golpes. Muito rápida, conseguiu colocar ganchos e cruzados em precisos contra-ataques, que foram frustrando a lutadora chinesa.

Como Wang é muito forte no contra-ataque, Bia teve paciência para esperar a chinesa tomar a iniciativa para só depois buscar o ataque. A tática deu certo e, por várias vezes, o ataque da brasileira pegou em cheio o alvo.

Outro ponto favorável à brasileira foram os golpes aplicados na linha de cintura, que surpreenderam e castigaram a lutadora asiática. Com ótimo preparo físico, a lutadora nacional conseguiu manter o ritmo os três assaltos e obteve a vitória sem sustos.

A trajetória de Bia no Mundial foi impecável. Ela somou quatro vitórias antes de chegar à decisão: derrotou Keamogetse Kenosi, de Botsuana, por nocaute técnico no segundo assalto; eliminou a venezuelana Omailyn Alcalápor, por decisão unânime nas oitavas de final; bateu a russa Natalia Shadrina em decisão dividida e superou a norte-americana Rashida Ellis por 4 votos a 1.

Aos 26 anos, Bia soma 24 pódios em 25 competições. Ela só fica fora dos três primeiros lugares no Mundial passado. Em agosto, a boxeadora ganhou o ouro no Pan-Americano de Lima, no Peru. Em 2018, foi campeã sul-americana em Cochabamba, na Bolívia.

Bia começou no boxe aos quatro anos de idade na garagem de casa, onde seu pai, Raimundo, mais conhecido no boxe como Sergipe (tricampeão baiano, bicampeão brasileiro e sparring de Popó) dava aulas para crianças carentes da região.

Por falta de competições de boxe feminino, Bia precisou esperar até 2014 para iniciar a carreira. Venceu uma luta, mas acabou desclassificada pois já havia participado de uma competição de muay thai e recebeu uma punição de dois anos, pois a Aiba (Associação Internacional de Boxe) proibia que as atletas participassem de competições por outras modalidades .

Bia voltou em 2016 e passou também a ser sparring de Adriana Araújo, medalha de bronze na Olimpíada de Londres-2012. Talentosa, ficou com a vaga da amiga, que passou para o boxe profissional.

A medalla de ouro conquistada por Bia é a quarta do boxe feminino. Em 2002, na segunda edição da competição, Ana Paula Lucio dos Santos foi bronze, em Antalya, na Turquia. Em 2010, em Barbados, Roseli Feitosa sagrou-se campeã mundial e, em 2014, Clélia Costa ficou com o bronze, na Coreia do Sul.

No masculino, a lista começa com Everton Lopes, campeão mundial em Baku, no Azerbaijão, em 2011. Na mesma competição, Esquiva Falcão foi bronze. Dois anos depois, Everton foi bronze e Robson Conceição, prata. Em 2015, Robson subiu mais uma vez no pódio para receber bronze. As informações são do jornal Estado de S. Paulo.

O Sul

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